Mais do que uma exposição, é um gesto. Cada imagem nasce do afeto. Pelo espectador, pelo Rio de Janeiro e pelo próprio processo fotográfico.
ContatoO processo
câmera
antiga
acetato
interno
Revelação
Caseira
Fotografia com
Texto Sobreposto
Texto escrito espelhado no acetato dentro da câmera Agfa Billy Record (1937). Aparece fundido com a paisagem só depois da revelação — no tanque, em casa.
Série 01
Cartas ao MarCartas ao Mar nasce da urgência de se manifestar. De um desejo persistente de expressão que encontra na fotografia um lugar possível, que vai além do registro e encontra a invenção.
Eu fiz essa foto pra você
Março/2025
Arpoador, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão
70 x 53 cm
Tiragem de 5 unidades
R$ 4.800
Como faz pra voltar no tempo?
Março/2025
Lagoa, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão
60 x 45 cm
Tiragem de 5 unidades
R$ 3.500
Morri de Amor, Morri de Saudade,
Não Morri de Vontade
Setembro/2025
Ipanema, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
45 x 32 cm
Tiragem de 5 unidades
R$ 1.900 / cada
Série 02
Só no RioEssa série investiga o que significa ser carioca a partir da ocupação do espaço público. Entre a praia e o verão, as imagens falam de convivência, corpo, improviso e celebração em espaços absolutamente democráticos. As fotografias foram realizadas com câmeras analógicas antigas, sem pré-visualização e reveladas de forma caseira.
Ipanema
Novembro/2025
Ipanema, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
110 x 80 cm
Tiragem de 5 unidades
R$ 9.800
A melhor praia do ano
Dezembro/2025
Arpoador, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
60 x 60 cm
Tiragem de 5 unidades
R$ 5.900
Série 03
MutanteTodas as imagens que compõem a série Mutante foram produzidas com câmeras analógicas antigas e, muitas delas, com rolos de filme vencidos. O trabalho é uma celebração do processo fotográfico e da sensação de pertencimento gerada pela paisagem que nos cerca.
Dois Irmãos
Março/2025
Dezembro/2023
Leblon, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
50 x 50 cm
Tiragem de 20 unidades
R$ 3.250
Caixote
Dezembro/2023
Leblon, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
50 x 50 cm
Tiragem de 5 unidades
R$ 3.250
Testemunhas Cariocas
Outubro/2024
Parque Lage, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão
100 x 64 cm
Tiragem de 20 unidades
R$ 7.360
Sem título
Outubro/2024
Parque Lage, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão
100 x 64 cm
Tiragem de 20 unidades
R$ 7.360
Roda Mundo
Dezembro/2023
Ipanema, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
montada em caixa de acrílico
18 x 18 cm
R$ 900
Arpoador
Maio/2024
Arpoador, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
montada em caixa de acrílico
18 x 18 cm
R$ 900
Sem título
Maio/2024
Leme, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
montada em caixa de acrílico
18 x 18 cm
R$ 900
Sem título
Fevereiro/2024
Jardim Botânico, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
montada em caixa de acrílico
18 x 18 cm
R$ 900
Sem título
Dezembro/2024
Leblon, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
montada em caixa de acrílico
18 x 18 cm
R$ 900
Leblon
Abril/2024
Leblon, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
montada em caixa de acrílico
18 x 18 cm
R$ 900
A artista
Daniela Justus é fotógrafa brasileira, baseada no Rio de Janeiro, com mais de vinte anos de atuação profissional.
Sua pesquisa mergulha nos processos analógicos e na investigação da interrupção do tempo. Trabalha sem pré-visualização e de forma experimental.
Para Dani, fotografar é desafiar o tempo, desacelerar.
Câmeras utilizadas nos trabalhos expostos
Exposições coletivas
Texto curatorial
As fotografias apresentadas na exposição Eu fiz essa foto para você, de Dani Justus, capturam o espectador e o deslocam para um outro tempo do olhar. A artista nos conduz a uma contemplação desacelerada, levando-nos a um território de experiência visual marcado pelo inesperado.
Um novo ritmo de percepção se instaura, diretamente relacionado ao meio de expressão escolhido pela artista: a fotografia analógica. Dani nos desloca do fluxo vertiginoso da imagem digital para nos inserir em uma temporalidade expandida. Os procedimentos técnicos utilizados — como câmeras de médio formato de diferentes décadas dos séculos XX e XXI, aliadas ao uso de filmes de gelatina e prata — resultam em imagens que articulam os territórios da experimentação, da brincadeira e do afeto pela fotografia e pela cidade do Rio de Janeiro.
A paisagem carioca constitui-se como lugar de inspiração e recorrência em sua produção. Sua prática se desdobra em dois momentos distintos: o primeiro, o da captação da imagem, com o uso da dupla exposição do negativo — técnica que permite registrar, em um mesmo suporte, diferentes tempos e enquadramentos; o segundo, no processo de revelação dos filmes, em preto e branco e cor, pela própria fotógrafa.
O entrelaçamento de imagens atravessa as três séries apresentadas na mostra. Em Cartas ao Mar, a artista insere curtos enunciados dentro da câmera analógica, que se combinam à paisagem no momento do disparo. Ao articular linguagem verbal e visual, Dani aproxima duas formas de expressão simbólica que não se subordinam entre si, mas coexistem em tensão poética.
Em Mutante, fotografa o Morro Dois Irmãos, a praia, o mar, as árvores, empregando filmes de gelatina e prata com validade expirada, mantidos em estado de esquecimento pela artista por cerca de quinze anos. Ao conectar a dupla exposição e a instabilidade dos sais de prata, explora a materialidade da imagem e rompe o seu estatuto documental.
Já em Só no Rio, a praia de Ipanema surge como espaço de convivência coletiva, onde corpos se multiplicam e se misturam em um tempo suspenso. O uso de equipamentos simples — como uma câmera Dehel, da década de 1920, e uma Diana F+, de 2007 — permite a entrada de feixes de luz que atravessam o negativo e interferem no resultado final, evidenciando o próprio processo químico e físico da fotografia. Ao incorporar essas marcas — como bordas, vazamentos de luz e "erros" —, a artista as assume como parte constitutiva de sua linguagem.
Dani Justus rompe com a visualidade tradicional ao subverter a pré-configuração da câmera e do filme fotográfico. Sua prática nos remete às experiências das vanguardas modernas do início do século XX, marco inicial em que a fotografia se sobressai como campo de experimentação na produção de imagem. Ao se apropriar desses procedimentos, a artista recoloca o processo fotográfico no centro da imagem, evidenciando o papel do filme fotossensível e da câmera como mediadores na construção do visível.