Eu fiz essa foto pra você

Eu fiz essa
foto pra você

Dani Justus

Mais do que uma exposição, é um gesto. Cada imagem nasce do afeto. Pelo espectador, pelo Rio de Janeiro e pelo próprio processo fotográfico.

Restaurante Brota · Botafogo
Abertura 7 de abril de 2026 · Entrada franca

Contato

O processo

Acetato com texto Câmeras e processo

câmera
antiga

texto

acetato
interno

Revelação
Caseira

Fotografia com
Texto Sobreposto

MORRI DE SAUDADE

Texto escrito espelhado no acetato dentro da câmera Agfa Billy Record (1937). Aparece fundido com a paisagem só depois da revelação — no tanque, em casa.

Série 01

Cartas ao Mar
Cartas
ao Mar

Cartas ao Mar nasce da urgência de se manifestar. De um desejo persistente de expressão que encontra na fotografia um lugar possível, que vai além do registro e encontra a invenção.

Eu fiz essa foto pra você

Eu fiz essa foto pra você

Março/2025
Arpoador, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão
70 x 53 cm
Tiragem de 5 unidades
R$ 4.800

Como faz pra voltar no tempo?

Como faz pra voltar no tempo?

Março/2025
Lagoa, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão
60 x 45 cm
Tiragem de 5 unidades
R$ 3.500

Morri de Amor Morri de Saudade Não Morri de Vontade

Morri de Amor, Morri de Saudade,
Não Morri de Vontade

Setembro/2025
Ipanema, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
45 x 32 cm
Tiragem de 5 unidades
R$ 1.900 / cada

Série 02

Só no Rio

no Rio

Essa série investiga o que significa ser carioca a partir da ocupação do espaço público. Entre a praia e o verão, as imagens falam de convivência, corpo, improviso e celebração em espaços absolutamente democráticos. As fotografias foram realizadas com câmeras analógicas antigas, sem pré-visualização e reveladas de forma caseira.

Ipanema

Ipanema

Novembro/2025
Ipanema, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
110 x 80 cm
Tiragem de 5 unidades
R$ 9.800

A melhor praia do ano

A melhor praia do ano

Dezembro/2025
Arpoador, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
60 x 60 cm
Tiragem de 5 unidades
R$ 5.900

Série 03

Mutante
Mutante

Todas as imagens que compõem a série Mutante foram produzidas com câmeras analógicas antigas e, muitas delas, com rolos de filme vencidos. O trabalho é uma celebração do processo fotográfico e da sensação de pertencimento gerada pela paisagem que nos cerca.

Dois Irmãos

Dois Irmãos

Março/2025
Dezembro/2023
Leblon, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
50 x 50 cm
Tiragem de 20 unidades
R$ 3.250

Caixote

Caixote

Dezembro/2023
Leblon, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
50 x 50 cm
Tiragem de 5 unidades
R$ 3.250

Testemunhas Cariocas

Testemunhas Cariocas

Outubro/2024
Parque Lage, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão
100 x 64 cm
Tiragem de 20 unidades
R$ 7.360

Sem título

Sem título

Outubro/2024
Parque Lage, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão
100 x 64 cm
Tiragem de 20 unidades
R$ 7.360

Roda Mundo

Roda Mundo

Dezembro/2023
Ipanema, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
montada em caixa de acrílico
18 x 18 cm
R$ 900

Arpoador

Arpoador

Maio/2024
Arpoador, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
montada em caixa de acrílico
18 x 18 cm
R$ 900

Sem título

Sem título

Maio/2024
Leme, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
montada em caixa de acrílico
18 x 18 cm
R$ 900

Sem título

Sem título

Fevereiro/2024
Jardim Botânico, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
montada em caixa de acrílico
18 x 18 cm
R$ 900

Sem título

Sem título

Dezembro/2024
Leblon, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
montada em caixa de acrílico
18 x 18 cm
R$ 900

Leblon

Leblon

Abril/2024
Leblon, Rio de Janeiro
Fotografia analógica impressa em papel de algodão fine art
montada em caixa de acrílico
18 x 18 cm
R$ 900

A artista

Dani Justus

Daniela Justus é fotógrafa brasileira, baseada no Rio de Janeiro, com mais de vinte anos de atuação profissional.

Sua pesquisa mergulha nos processos analógicos e na investigação da interrupção do tempo. Trabalha sem pré-visualização e de forma experimental.

Para Dani, fotografar é desafiar o tempo, desacelerar.

Câmeras utilizadas nos trabalhos expostos

Dehel
Dehel
anos 1950
Agfa Billy Record
Agfa Billy Record
1937
Mamiya 645
Mamiya 645
anos 1970
Diana F+
Diana F+
Lomography, 2007

Exposições coletivas

2026Eclosão — Casa 70 Galeria, Rio de Janeiro
2025Encontros de Outono — Casa 70, Instituto Brando Barbosa
2007Prêmio Hercule Florence — Casa França-Brasil
2006Os Trabalhos — Ateliê da Imagem
2005Terceira Margem / Desclick — Ateliê da Imagem

Texto curatorial

As fotografias apresentadas na exposição Eu fiz essa foto para você, de Dani Justus, capturam o espectador e o deslocam para um outro tempo do olhar. A artista nos conduz a uma contemplação desacelerada, levando-nos a um território de experiência visual marcado pelo inesperado.

Um novo ritmo de percepção se instaura, diretamente relacionado ao meio de expressão escolhido pela artista: a fotografia analógica. Dani nos desloca do fluxo vertiginoso da imagem digital para nos inserir em uma temporalidade expandida. Os procedimentos técnicos utilizados — como câmeras de médio formato de diferentes décadas dos séculos XX e XXI, aliadas ao uso de filmes de gelatina e prata — resultam em imagens que articulam os territórios da experimentação, da brincadeira e do afeto pela fotografia e pela cidade do Rio de Janeiro.

A paisagem carioca constitui-se como lugar de inspiração e recorrência em sua produção. Sua prática se desdobra em dois momentos distintos: o primeiro, o da captação da imagem, com o uso da dupla exposição do negativo — técnica que permite registrar, em um mesmo suporte, diferentes tempos e enquadramentos; o segundo, no processo de revelação dos filmes, em preto e branco e cor, pela própria fotógrafa.

O entrelaçamento de imagens atravessa as três séries apresentadas na mostra. Em Cartas ao Mar, a artista insere curtos enunciados dentro da câmera analógica, que se combinam à paisagem no momento do disparo. Ao articular linguagem verbal e visual, Dani aproxima duas formas de expressão simbólica que não se subordinam entre si, mas coexistem em tensão poética.

Em Mutante, fotografa o Morro Dois Irmãos, a praia, o mar, as árvores, empregando filmes de gelatina e prata com validade expirada, mantidos em estado de esquecimento pela artista por cerca de quinze anos. Ao conectar a dupla exposição e a instabilidade dos sais de prata, explora a materialidade da imagem e rompe o seu estatuto documental.

Já em Só no Rio, a praia de Ipanema surge como espaço de convivência coletiva, onde corpos se multiplicam e se misturam em um tempo suspenso. O uso de equipamentos simples — como uma câmera Dehel, da década de 1920, e uma Diana F+, de 2007 — permite a entrada de feixes de luz que atravessam o negativo e interferem no resultado final, evidenciando o próprio processo químico e físico da fotografia. Ao incorporar essas marcas — como bordas, vazamentos de luz e "erros" —, a artista as assume como parte constitutiva de sua linguagem.

Dani Justus rompe com a visualidade tradicional ao subverter a pré-configuração da câmera e do filme fotográfico. Sua prática nos remete às experiências das vanguardas modernas do início do século XX, marco inicial em que a fotografia se sobressai como campo de experimentação na produção de imagem. Ao se apropriar desses procedimentos, a artista recoloca o processo fotográfico no centro da imagem, evidenciando o papel do filme fotossensível e da câmera como mediadores na construção do visível.

Gabriela Toledo
Março de 2026